
Dirigentes e Suas Funções
Dirigentes e Caminheiros do Louriçal participam no EPI de Coimbra
Dois dirigentes e dois caminheiros do nosso agrupamento participaram no Encontro de Preparação Internacional que decorreu em Coimbra, foram eles a Ana, a Cátia, o Vítor e o João, que após a frequência deste curso habilitam toda a secção a participar na actividade Green Cape em Cabo Verde no próximo mês de Agosto.
E além disso apareceram também na revista Flor de Lis »»
Chefia do Agrupamento
Assistente: Padre Virgílio
Chefe de Agrupamento: João Cordeiro
Chefe Adjunto de Agrupamento: Ana Flores
Tesoureiro: Dário Neves
Secretária: Cátia
Dirigentes 1ª Secção “Lobitos”
Àquela: Carlos Perdigoto
Candidato a Dirigente: Maria da Conceição
Candidato a Dirigente: Paula Marques
Dirigentes da 2ª Secção “Exploradores”
Dirigente: Ana Lídia
Candidato a Dirigente: Ana Filipa
Dirigentes da 3ª Secção “Pioneiros”
Candidato a Dirigente: Marco Tiago
Candidato a Dirigente: Miguel Oliveira
Dirigentes da 4ª Secção “Caminheiros”
Chefe de Secção: João Cordeiro
Entrevista
"O escutismo é a preocupação diária de deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos”
Está no escutismo de "alma e coração" e nunca, em momento algum, se arrependeu do desafio que lhe foi colocado há três anos atrás. Aliás, está lá "pelos miúdos" que, segundo diz, "me fazem feliz todos os dias". João Cordeiro, Chefe do Agrupamento 1244 do Louriçal, espera, com esta entrevista, desmistificar algumas concepções erradas em torno do escutismo e dar a conhecer melhor as actividades desenvolvidas por aqueles que considera que virão a ser, num futuro próximo, "grandes homens".
O Correio de Pombal (OCP) - Será que ainda hoje faz sentido falar de escutismo nos mesmos moldes que presidiram à sua fundação por Baden Powell, no início do século?
João Cordeiro (JC) - Com certeza, por isso é que continuamos a fazer escutismo. Baden Powell deixou o catecismo feito – sistema de auto-educação progressiva, compete-nos a nós, formadores, adaptá-lo aos tempos de hoje. Mas, no fundo, os objectivos de Baden Powell são os que temos hoje, que é formar homens e dar-lhes novos valores, já que hoje a sociedade se vai esquecendo de os passar para as gerações.
O CP - Esmiuce um pouco melhor em que se baseia a formação a que se referiu.
JC - O escutismo complementa a acção da escola e da família, preenchendo necessidades específicas dos jovens de ambos os sexos. Nós formamos com valores bio-psico-sócio-culturais e físicos, porque quando os jovens vão para o escutismo desenvolvem capacidades que hoje, tanto na escola como na sociedade, não têm essa possibilidade. formamos patrulhas, pequenos grupos de trabalho, onde todos participam activamente, e que vão poder dar uma mais-valia a estes jovens, nomeadamente serem líderes, serem capazes de resolver conflitos, serem responsáveis por eles próprios, pela comunidade, pelo ambiente e capazes de respeitar o outro. Digamos que há uma série de valores enunciados na Lei e Promessa do escuta que é um código de vida.
O CP - Mas as influências menos positivas a que os jovens estão, actualmente, sujeitos não poderão atrapalhar o trabalho que desenvolvem?
JC - Verdade. Aquilo por que nós hoje lutamos é para que os miúdos encontrem no escutismo a felicidade com base em valores: que gostem uns dos outros, respeitem os pais, os avós, os pobres, sejam seres com capacidade empreendedora. Não tenho dúvida que o que o escutismo hoje transmite é invisível, porque o que é visível são as actividades, enquanto que a formação não o é. Mas acredito que daqui a 10 anos, os meus escuteiros serão grandes homens com uma alma grande, bons maridos, excelentes pais, bons empresários, bons empregados, grandes dirigentes de associações, quem sabe talvez presidentes de Câmara, de Junta, com capacidade de liderança, gestão de trabalho, de equipas, de gestão de conflitos, porque isto tudo eles vão aprendendo agora quando são pequenos. Nós hoje, com miúdos de 11 anos, vêmo-los a fazer actas e relatórios e acredito que há instituições no país que não fazem actas nenhumas ao longo da sua vida, não escrevendo por isso história.
Actualmente, e cada vez mais, vivemos numa sociedade que é apenas de direitos e as pessoas acham que não têm deveres. Nós incutimos nos miúdos que existem deveres: dever de respeitar o outro, o ambiente, o idoso, a criança, os pais, e é nisto que nós trabalhamos, porque acreditamos que não há nenhuma instituição em Portugal tão grande como a nossa em número e qualidade, que se preocupe com estes valores.
O CP - A maior parte das pessoas sabe que os escuteiros fazem acampamentos periódicos, mas não sabe que tipo de actividades aí se desenvolvem. Fale-nos um pouco disso.
JC - O campo é um jogo. Quando levamos os miúdos para um acampamento estamos a convidá-los a ir para um jogo, quem não gosta de jogar?. Depois, o trabalho, que não é directamente proporcional no momento, desenvolve-se em todas as tarefas que há durante esse tempo. Há miúdos que nunca lavam a loiça em casa, mas no campo fazem-no. Desta forma, eles acabam por tornar-se unidos porque estão em comunidade.
O campo continua a ser o chamariz para que os jovens venham até nós. Depois, há todo o trabalho ligado à pontualidade, formatura, valores esses que também vamos incutindo ao longo dos anos. Não vamos para o campo simplesmente por ir. Há um conjunto de acções de formação e provas do cartão progresso que fazem os miúdos evoluírem e o campo é a complementaridade daquele módulo de formação.
O CP - Há muita gente que continua a associar o escutismo apenas às actividades ligadas à Igreja Católica. Pelas suas palavras depreende-se que este movimento extravasa os ângulos desta visão tão linear?
JC - Eu nunca vi mal algum em ter esta tão grande ligação entre o escutismo e a Igreja. Os valores que a Igreja transmite não vão perturbar a formação dos rapazes ou das raparigas, Pelo contrário. Se calhar são valores que hoje até se perdem e que o escutismo pode recuperar. A capacidade de amar já vem de Jesus Cristo, que foi a pessoa que mais conseguiu amar, e nós também queremos que os miúdos se sintam felizes por amarem, por darem sem receber. Esta ligação da Igreja é importante para nós, porque dá-nos uma imagem de credibilidade, de trabalho sério, e nós também precisamos do Pároco e do Assistente, que são orientadores do nosso trabalho espiritual e é na paróquia que descobrimos muitas vezes o trabalho comunitário a desenvolver.
Agora, o escutismo é muito mais do que isso. Temos feito actividades do ambiente, em conjunto com a Câmara e com outros Agrupamentos, e às vezes colocam-nos a questão: "Vocês vão apanhar lixo?". Nós vamos de facto participar numa actividade, mas essencialmente vamos formar os jovens. O sentido de uma actividade do ambiente é educar e eu tenho a certeza que os escuteiros que participam neste tipo de actividade têm a preocupação de apanhar o lixo e saber fazer a separação correcta dos lixos e tem uma preocupação ambiental extrema.
Além disso, nós vamos desenvolvendo o máximo de actividades que nos é permitido ao longo do ano, fora do âmbito de formação escutista, mas que também contribuem para a formação integral dos miúdos. Por exemplo, desenvolvemos actividades financeiras que são o suporte financeiro do Agrupamento e das Secções, mas também não é só isso. Isto é educar, porque os miúdos vão-se aperceber que para fazermos algo temos que trabalhar e temos que ter a coragem de enfrentar as pessoas e de lhes vender um calendário ou outra coisa. Neste sentido, eles estão a dar a cara e isso é fazê-los crescer.
Em termos de serviços públicos, temos cada vez mais tentado desenvolver actividades que contribuam para uma sociedade melhor, como por exemplo a entrega dos folhetos da prevenção florestal quando o Governador Civil nos pede; ajudamos também na recolha das dádivas de sangue ao Instituto de Sangue Português; participação nas actividades do ambiente, este ano lançamos com outras instituições do Louriçal uma actividade “Louriçal Saudável” que visou o fomento da prática do desporto, etc
Depois, temos um serviço comunitário centrado nas pessoas e que muitos não entendem, mas que é muito valorizante para os miúdos. Por exemplo, quando dizemos aos miúdos que eles têm que fazer uns folares da Páscoa e, eles mesmos, entregarem às famílias pobres, estamos a formá-los, a dizer-lhes que eles têm que ter preocupação comunitária de ajudar os mais carenciados; quando pegamos nos jovens e os levamos ao lar para estarem uma tarde com os idosos, estamos a sensibilizá-los, porque eles também têm avós.
O CP - Os jovens que ingressam no movimento escutista vão por iniciativa própria ou são os pais que os instigam a isso?
JC - Normalmente, hoje é o convite dos próprios escuteiros, que estão na escola e já são um grupo perfeitamente unido, havendo depois elementos que querem participar naquele grupo, porque ele é diferente: não fuma, não bebe álcool, é bem comportado e respeitador. Queremos que eles, na escola, tenham boas notas, ajudem os pais em casa, e isso faz com que haja uma forte ligação entre a escola, Instituto D. João V neste caso, pais e o grupo de escuteiros em si.
O CP - Para além das questões já focadas, que outros assuntos considera pertinentes dar a conhecer?
JC - Eu gostava de dizer a quem não conhece o movimento, e que por vezes levanta questões, que não tenha receio de vir falar connosco e perguntar o que fazemos. Os pais hoje têm a sua vida atarefada e os jovens sós, cada vez mais estão virados para o consumismo, isto é, para o ter e não para ser. Tenho a certeza que o escutismo é descoberta da felicidade em valores humanos e morais e não nos bens materiais.
O CP - O que é ser escuteiro?
JC - Escuteiro é todos os dias levantar com a preocupação de fazer bem, não importa a quem. É ter humildade para reconhecer o mundo à nossa volta e todos os dias contribuir para que ele fique melhor. Pode ser apanhar um papel no chão, ajudar uma pessoa a atravessar a passadeira, pode ser na escola a sorrir para uma pessoa que está triste, cumprimentar um professor. Ser escuteiro é servir, fundamentalmente. Estamos preparados para servir a comunidade, seja ela educativa, social, religiosa ou os próprios pais. Não tenho dúvidas que um grupo alargado de jovens de escuteiros do Louriçal, daqui a alguns anos, serão pessoas muito úteis e válidas para sociedade, em todos os sentidos.